Quando cheguei, logo senti saudades do que estava a minha frente. Logo vi meu coração indeciso. Deveria abandonar a felicidade que sempre busquei, que estava comigo, em troca de uma incerteza?
Sei das minhas limitações e sei que há limitações nos outros. Sei, também, que o sol brilha em qualquer lugar e basta estar totalmente presente. Sei que abandonar tudo e começar do zero não é mais algo tão complicado para mim.
Será que não alimento novas ilusões? Será que não estou caindo na mesma armadilha? Não foi esse o erro que eu sempre cometi?
Agora estou na incerteza, no vazio do qual somos feitos. E é esse potencial imenso que me faz sentir outra vez que estou vivo. Tudo é possível, não tenho mais minhas convicções, estou aberto às possibilidades e a toda a abundância que a vida poderá oferecer. Agora, o que vier será meu, mas apenas por um tempo.
É bom sentir esse frio na barriga e esse medo de que dê tudo errado, tendo coragem para arriscar. Não há felicidade de verdade sem riscos, foi essa vida que eu escolhi.
E voo para onde eu tiver que voar. Estarei atento, permanecerei aceitando as mudanças. Não vou mais criar conceitos, não agora.
Esqueci, temporariamente, da origem das minhas aspirações artístico-comunicativas. Bom é lembrar que gosto muito.
Eu lembro de uma vez que eu fui na tua casa e a gente conversou, sentados no sofá vermelho. Falamos sobre as coisas que tu não gostavas e sobre as coisas que achavas estranhas na tua família. Que eu te falei que já tinha deixado pra trás muitos amigos e que não consegui me manter perto das pessoas que eu amava. E tu me disseste: "isto é ruim, muito ruim".
Lembro quando eu dormi por alguns minutos, naquele mesmo sofá, e que acordei contigo me perguntando se eu queria fazer um sanduíche. Eu disse que sim, mesmo com vergonha, porque eu estava com muita fome... Quando fui levantar pra fazer, tu voltaste da cozinha com ele pronto, igual ao teu.
E de uma vez que tu reclamaste: tu vem na minha casa pra dormir!
Era porque eu não conseguia encontrar tranquilidade como aquela...
Eu tenho saudade de quando tudo parecia novo e tão simples...
Cazuza e Frejat
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós, na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente nem vive
Transformar o tédio em melodia...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno anti-monotonia...
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio
O mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno anti-monotonia...
E algum...
Pois é... Evolução, revolução... algumas coisas fora do lugar, outras dando bem certo. E o certo é que eu me surpreendo. Com as pessoas, comigo e com os fatos.
Momento sublime de não querer constatar nada. Acho que tem alguma coisa acontecendo no subterfúgio do subterrâneo do monte olimpo. Ok, quero ser a esfinge hoje.
Have Fun
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Caçador de Mim
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir as armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
o que me faz sentir
Eu, caçador de mim